Ha uma centena de anos
levantaram uma casa
não num escadote
nem com guindaste
levantaram como quem diz…
ergueram paredes pedra a pedra…
Fizeram a casa sem brio….talvez porque estava frio e não havia vinho
Mas um dia ela se ajeitou aos olhos deles
Festejaram
Fornicaram
Comeram
Beberam nela.
O tempo passou…como sempre…como por tudo….
A casa se escureceu
e foi deixada no breu
Ninguém veio a arranjar
Nem pegar as cinzas que o fogo envolveu
nem levar a
aldraba da porta….
mais uma casa que morreu.

Eu fui a semente da figueira
implantada na barriga da fêmea mulher
Não desenvolveu a árvore como feto
e por isso ficou em pé
Arrancar a árvore não podia
ela não saía
Cortaram a barriga
à volta da copa da árvore
a raíz se enroscava
a árvore saíu
a barriga se coseu
a àrvore cresceu
pouca folha e amarela deu
flor miúda e roxa…
Deu 3 jacas enormes
Foi preciso as arrancar do pé
A árvore ficou sem fruta
A árvore ficou sem flor
A árvore está de pé
mas não tem raíz
está fazendo balé.
A árvore foi a figueira amaldiçoada por um homem da Galileia e à sombra da qual Buda Gautama tanto meditou e cagou que o mundo estragou.