Ha uma centena de anos
levantaram uma casa
não num escadote
nem com guindaste
levantaram como quem diz…
ergueram paredes pedra a pedra…
Fizeram a casa sem brio….talvez porque estava frio e não havia vinho
Mas um dia ela se ajeitou aos olhos deles
Festejaram
Fornicaram
Comeram
Beberam nela.
O tempo passou…como sempre…como por tudo….
A casa se escureceu
e foi deixada no breu
Ninguém veio a arranjar
Nem pegar as cinzas que o fogo envolveu
nem levar a
aldraba da porta….
mais uma casa que morreu.

Eu fui a semente da figueira
implantada na barriga da fêmea mulher
Não desenvolveu a árvore como feto
e por isso ficou em pé
Arrancar a árvore não podia
ela não saía
Cortaram a barriga
à volta da copa da árvore
a raíz se enroscava
a árvore saíu
a barriga se coseu
a àrvore cresceu
pouca folha e amarela deu
flor miúda e roxa…
Deu 3 jacas enormes
Foi preciso as arrancar do pé
A árvore ficou sem fruta
A árvore ficou sem flor
A árvore está de pé
mas não tem raíz
está fazendo balé.
A árvore foi a figueira amaldiçoada por um homem da Galileia e à sombra da qual Buda Gautama tanto meditou e cagou que o mundo estragou.

entre os vivos dormi
e a vida pareceu me a morte
enganei os sentidos
fodi,amei
cantei,chorei
três manhãs nasceram de mim
três tardes se recolheram
espero s noites se obliterarem
Quero ficar assim
entediada e mole
respirando calma
tranquilos os pulmões
e a alma.
santo andré,abril,2008,vitoriameirelles
A materna árvore mortajaz de pé fincada ao solo…
Nada entre céu e terra..
ponte entre a infância e morte
Os frutos,comeram-lhos
As folhas caíram
As flores……
Ai as flores como adornaram
há séculos sua copa nua!
Hoje não dá sombra
e nem um pica-pau se divertiu nela
Não é mais abatida
a madeira está podre
nem serve de jazida para nenhum fóssil
santoandre,vitoriameirelles,abril,2008
©
Estamos no tempo em que as crianças
não riem
A ave negra espantou o sonho
trouxe os gritos
Os velhos ramelam o pó dos velhos cantos
e embalam tetas vazias de tédios.
Estamos no tempo em que a música ´comércio de bobo
e o rei não ri.
O rebanho não tem pasto;
só olha a tela esperando os ossos
desceram à terra
e os filhos matamos pais para comerem mais..
St.André/abril 2008/vitória meirelles
A vida se perde todos os dias
Um dia se esvai entre as 4 tábuas
A vaidade se ganha enquanto esse dia não vem…
Arrasterei ao longo da ribeira
os cabelos encanecidos varrendo poeiras
Descansarei na margem com os sapos,as rãs..
cortando o torpor das últimas manhãs.
Não verei as estrelas
Minha tela está sem cor
Voou o melro,o canto e o som
Fugiu o gato,a sombra e a fé
Fiquei eu o sapo e a rã.
a boca de terra mamando caminhos
empurrado por armas velhos
com seu vasto manto de papoilas
para que meu sangue as tinja
ao descer à terra
porque morreria por ti?
Vitória Meirelles/santo andré,abril de 2008
Quero
*Eu quero ser a relva(ou a selva?)
Do prado..(no prato?)
A claridade da lua(ou mulher nua?)
A fragância do mar(o sexo escondido?)
O sol que abrilhanta a acácia(queimando árvores?)
Queima o trigo…mata!….
E escurece na planície…foi-se…
*Eu quero ser o génio…vida!
…verde.
O espírito do azul…sonho…
A força do vermelho…raiva..
E o anil da madrugada…esperança..
Mas quero ser!
St.André/Abril de 2008-04-20
Vitória Meirelles

Encher de alegria cada canto
preencher com minhas mãos todo o recanto….
eu sou mais viva quando crio,
quando empresto ao mundo minha esperança…
quando no vazio desenho um lírio,
um gato ,uma dança…
Vou Pintar!